Palco de uma das maiores rebeliões do país, presídio em ilha passa por restauração no litoral de SP
05/04/2025
(Foto: Reprodução) Previsão do Estado é que obras, que antes estavam previstas para terminar em fevereiro, sejam entregues no fim de junho deste ano. Presídio da Ilha Anchieta, em Ubatuba, passa por restauração
Divulgação/Semil
Uma das maiores rebeliões já registradas no país, depois do Carandiru, em 1992, aconteceu também no Estado de São Paulo: foi no presídio da Ilha Anchieta, em Ubatuba, no Litoral Norte – leia mais sobre a rebelião abaixo.
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Desativado oficialmente em 1955, as ruínas do presídio agora passam por uma restauração, em um investimento do governo estadual de mais de R$ 4 milhões.
Com visitação suspensa para as obras, o presídio passa por reformas em diversos pontos. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), até o momento já foram realizados estudos técnicos, projetos executivos, limpeza e recuperação das estruturas e implementação de escoramentos provisórios, além de reforços estruturais necessários.
Presídio da Ilha Anchieta, em Ubatuba, passa por restauração
Divulgação/Semil
A pasta informou que a restauração das ruínas, que antes estava prevista para ser entregue em fevereiro deste ano, está com pouco mais de 78% concluída, segundo o último fechamento, realizado no fim de fevereiro.
Uma nova atualização sobro andamento das obras deve ser divulgado no próximo dia 15, sendo que o novo prazo para a entrega é 30 de junho deste ano. O valor atualizado da reforma é de R$ 4,2 milhões.
Presídio da Ilha Anchieta, em Ubatuba, passa por restauração
Divulgação/Semil
A pasta informou que, no estágio atual, estão sendo feitos restauros e proteções das paredes de um dos pavilhões das ruínas, além de finalização da proteção dos pisos dos pavilhões, execução do sistema de drenagem do entorno, finalização dos reforços estruturais e desmobilização da obra.
A Ilha Anchieta fica a 8 quilômetros do continente e a 213 quilômetros de São Paulo. Para visitar o local, é cobrada uma taxa de R$ 19 para brasileiros, R$ 28 para estrangeiros do Mercosul e R$ 37 para demais estrangeiros.
Presídio da Ilha Anchieta, em Ubatuba, passa por restauração
Divulgação/Semil
A rebelião
Foi em 1952 que o presídio da Ilha Anchieta vivenciou uma das maiores rebeliões já registradas no país. Na ocasião, 129 detentos conseguiram fugir do local.
A segurança era feita por 49 militares da Força Pública, que serviam no Destacamento 314, responsável pela Ilha Anchieta, e respondiam ao 5º Batalhão de Caçadores de Taubaté (atual 5º Batalhão da Polícia Militar).
Além dos militares, 22 guardas de presídio faziam a vigia dos pavilhões. No entanto, os vigias não tinham a autorização para portarem arma de fogo. Além de ser um local isolado, quente e úmido, há relatos de torturas que aconteciam com os detentos por parte da direção.
Sede do Instituto Correcional da Ilha Anchieta
Reprodução/ Parque Estadual da Ilha Anchieta
Na manhã do dia 20 de junho, um grupo de detentos foi deslocado para fazer o corte e o transporte da lenha, que era recolhida toda sexta-feira. A rebelião se iniciou quando um detento desarmou um dos soldados que fazia a escolta do grupo.
Rapidamente, outros presos perceberam o que estava acontecendo e o motim foi se espalhando por toda parte. Os presos que estavam no corte de lenha retornaram para o presídio através da vila militar e surpreenderam o quartel que estava despreparado, atacando os guardas com os pedaços da madeira que havia sido cortada.
As celas da prisão foram abertas e os presos foram soltos, se espalhando pela Ilha. Os comandantes do presidio, ao saberem do motim, se dirigiram a casa do diretor, Fausto Sadi Ferreira, onde ficaram até que um grupo de presos, comandados por João Pereira Lima, invadiu o local e rendeu os policiais.
As mulheres e crianças que estavam nas casas da vila militar foram escoltadas pelos próprios presos até uma cela do pavilhão dois, e ficaram presos até o fim do motim.
Rebelião estampa páginas da revista "O Cruzeiro"
Revista "O Cruzeiro" publicada em 1952
Os fugitivos abriram caminho a tiros até a praia e subiram na lancha chamada de Ubatubinha, embarcação que vinha para a ilha toda sexta-feira trazendo mantimentos do continente. A embarcação comportava 40 pessoas, mas partiu da ilha levando 60 fugitivos.
O resultado da rebelião, segundo o Inquérito Policial, foi de 25 mortos, sendo 15 detentos e 10 agentes estatais. Dos 129 fugitivos, 108 foram recapturados e seis detentos foram dados como desaparecidos.
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